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As Primeiras Letras e "Os ecos de Lutero"




1875 - Pela lei nº 5 de março de 1875, o arraial Nossa Senhora da Piedade se tornaria Freguesia e Distrito de Nossa Senhora da Piedade de Mato Grosso. Em oito de Março foi organizado o Distrito de Paz da Freguesia, tendo como Juiz o mineiro Sérgio José de Souza, um professor trazido de Jacuí pelo Major Antônio Garcia de Figueiredo para ensinar as primeiras letras aos seus filhos. Em pleno apogeu do Império do Brasil, um mulato portador de bócio (Hipertrofia da glândula tireóide) ganharia o posto de Juiz de Paz por saber ler e escrever, coisa de muita valia naqueles sertões apinhados almas não letradas.
O mato caía e o arraial crescia, e no mesmo ano de 1875 já é Capela de Mato Grosso de Batatais.

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1875 - Em dezembro, dia 17, o Presidente da Província de São Paulo, atendendo as Câmaras de Batatais e Cajuru, resolve demarcar os limites do novo Distrito, nos mesmos termos atuais. Além de três engenheiros vindos da capital, os trabalhos contaram com a colaboração do então vereador da Câmara Distrital de Batatais, o jovem coronel Antonio Justino de Figueiredo, (neto materno e herdeiro do fundador do Arraial, Antonio Garcia de Figueiredo, o Major Garcia).
A arquidiocese da província de São Paulo nomearia o primeiro Vigário da nova Capela, o Padre Thomaz de Afonseca e Silva, que também determinaria a construção do primeiro cemitério, no mesmo local onde é o atual Hospital de Misericórdia.





Em 1873 um importante missionário protestante chegaria ao Brasil: John Boyle (1845-1892). Sua primeira parada foi em Cajuru, onde logo converteria a família Rizzo ao protestantismo, o marco inicial da nova doutrina em toda a região dos entrantes mineiros
1878 - Um dos filhos do Capitão Diogo Garcia da Cruz, o João Garcia de Figueiredo, da fazenda São João (Congonhal), desde 1878 recebia visitas de missionários protestantes e colportores (vendedores de Bíblias, principalmente). John Boyle, o missionário ora amigo dos Rizzo de Cajuru, conheceria e converteria ao protestantismo o fazendeiro João Garcia de Figueiredo e seus descendentes, os que futuramente trariam a doutrina presbiteriana para o arraial.
(artigo no jornal O Imparcial, 1917)


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Na virada do Século do progresso

by José Márcio Castro Alves

1896 – Washington Luiz se tornaria prefeito (intendente) de Batatais e teria como aliado político o jovem Capitão Renato Jardim. A esse tempo, o distrito de Mato Grosso de Batatais crescia e mais uma rua seria construída na parte superior do terreno onde fora construída a Igreja Matriz, já nos moldes de alinhamento da primogênita Rua Major Antônio Garcia de Figueiredo (Major Garcia), a rua de baixo da praça, que recebera o nome do fundador do arraial.
A nova rua levaria o nome de Capitão Renato Jardim, fazendo jus aos vínculos de amizade e dos serviços prestados em prol dos moradores do distrito de Mato Grosso de Batatais.


Durante a gestão do prefeito Washington Luiz em Batatais (1886-1889), ele colocaria as finanças em dia e conseguiria verbas para a implantação de estradas, muito embora não houvesse demanda alguma dos raríssimos veículos automotores. Mas foi durante o seu mandato de prefeito que se iniciaria a construção da primeira estrada de rodagem ligando Batatais ao distrito de Mato Grosso, que se concluiria mais tarde, durante o mandato do seu sucessor, o capitão Renato Jardim, que governaria Batatais de 1900 a 1903.
Fato curioso é que Washington Luiz comprara na capital uma bicicleta, veículo até então desconhecido pelos habitantes daqueles sertões.
E foi ele próprio quem inaugurou a estrada, pedalando 15 km até a fazenda do amigo Honório Machado, onde parou para almoçar. Seguido por um séqüito de cavaleiros, a proeza do feito seria registrada em crônica do jornal Diário Carioca, reproduzida na íntegra na edição de 25 de Setembro de 1928, quando Washington Luiz já era o presidente da República do Brasil.


Em 25 de junho de 1900, alguns moradores relutavam em pagar o imposto foreiro, ou imposto fabriqueiro. É que os moradores eram obrigados a pagar anualmente esse imposto por terem construído suas casas nos terrenos pertencentes à Paróquia. Reivindicavam a posse definitiva de suas casas sem depender do imposto anual. Por ocasião desta reunião, dá-se a primeira visita do bispo, porém sem resultado positivo para os moradores.

No início do século XX, a luta começaria no terreno da emancipação política. Tornar Mato Grosso em Município. Os Garcia de Figueiredo, que até então aceitavam passivamente a situação, despertados, se destacam na luta. A renda do distrito era canalizada para Batatais, e muito pouco voltava em benfeitorias. Os representantes da sede (Batatais) eram chamados intendentes. Um deles foi o Cel. Joaquim Alberto da Costa (avô materno do Dr. Sylvio Ribeiro da Silva), que nomeado pelo então prefeito de Batatais, capitão Renato Jardim, conseguiu verba (em 1903) para continuar o precário serviço de abastecimento de água no distrito de Mato Grosso de Batatais.
Epaminondas da Silva, ex-presidente da Associação dos Orquidófilos de Altinópolis, já falecido, relatou haver ainda no início do Século XX um desvio do córrego da Fazenda Sobradinho que passaria defronte à Igreja Matriz, rego este para o abastecimento de água nas casas, lavagem de roupas e a limpeza da matança de gado que também se fazia defronte à Igreja, uma prática bastante comum nos povoados brasileiros de então.




1909 - Mato Grosso de Batatais, recebe em festa delirante o Sr. James Stuart, chegando o primeiro trem de passageiros da São Paulo e Minas SPM), vindo de Bento Quirino. Logo a estrada de ferro chegaria às estações Pio Alves ( Congonhal), Cobiça, Antonio Justino de Figueiredo, Guardinha e São Sebastião do Paraíso.

1910 - O fazendeiro Joaquim Mário de Souza Meirelles fez a doação de uma cachoeira à Cia. de Força e Luz para que esta pudesse fornecer emergia elétrica ao Distrito de Mato Grosso, com a condição de que a paróquia ficasse isenta de qualquer ônus para receber o benefício.

E foi por volta de 1910 que os protestantes descendentes de João Garcia de Figueiredo, viriam da zona rural para o povoado. Começariam as reuniões protestantes em casas particulares, visto que ainda não possuíam um templo na Vila de Mato Grosso.


Antônio Garcia de Figueiredo Sobrinho, filho de Joaquim Garcia de Figueiredo (Jaborandi) e neto do cap. Diogo Garcia da Cruz, morava na esquina na Praça Central, onde posteriormente doaria a casa e a concessão do terreno para uma de suas filhas, Maria Amazília, que desposara um jovem de Santa Rita do Passa Quatro, Honório Vieira de Andrade Palma. O casamento da filha Maria Amazília deu-se em 1894 e o casal moraria uns tempos em Santa Rita, só retornando à Vila de Mato Grosso quando o fazendeiro Antonio Garcia de Figueiredo Sobrinho resolvera doar o vultuoso patrimônio aos filhos. Honório, na condição de genro, não só herdaria a fazenda Invernada, o inicio da sua fortuna, como também a chefia política do antigo PRP do distrito de Mato Grosso de Batatais. Alea jacta est...

(artigo compilado do jornal O Imparcial, 1917)



José Garcia de Figueiredo Neto nos leva aos Oitocentos

by José Márcio Castro Alves

José Garcia de Figueiredo Neto, (1918 - 2010), era um estudioso da genealogia dos Garcia de Figueiredo. Em maio de 2006 ele concedeu uma entrevista para nos remeter literalmente na segunda quadra dos Oitocentos. Rememorou com sabor e precisão as histórias do seu avô, José Garcia de Figueiredo, filho de Joaquim Garcia de Figueiredo (Jaborandy - o filho mais velho do cap. Diogo Garcia da Cruz).

Veja o filme de 3 minutos com o depoimento de José Garcia de Figueiredo Neto.


José Márcio Castro Alves